De que é feita a Matriz Energética?
29 abr, 2022
OXMA

Matriz energética. Você certamente já ouviu essa expressão, associada às metas de emissões de poluentes ou, em tempos em que nossas contas de luz (e no posto de gasolina) têm subido tanto e tão constantemente, à economia. Ela representa o conjunto de diferentes fontes de energia utilizados no transporte, aquecimento, iluminação, máquinas etc. em um determinado país, região ou no mundo. E, não raro, é confundida com sua componente mais famosa, a matriz elétrica – que, como o nome sugere, se refere apenas a fontes de energia elétrica. Falamos um pouco sobre as duas aqui neste post.
Comecemos pela maior, a matriz energética. Em 2019, em termos mundiais, ela tinha em sua composição 86% de fontes não renováveis – como carvão mineral (27,0%), petróleo e derivados (31,1% e gás natural (23,0%) – e apenas 14% de fontes renováveis – como biomassa (9,3%) e hidráulica (2,6%). Cadê a geração solar e a eólica? Juntas, somavam apenas 2%.
Já no Brasil, as fontes renováveis compõem 46% do total, com derivados de cana-de-açúcar (19,1%), hidráulica (12,6%), biomassa (8,9%) e outras (incluindo solar e eólica, 7,7%). Mas o maior percentual de nossa energia “geral” continua vindo dos derivados de petróleo (33,1%), que somados ao gás natural (11,8%) – que, cá entre nós, também vem do petróleo, mas é considerado fonte à parte – (11,8%), ao carvão mineral (4,9%) e outras compõe os 64% restantes.
A importância de utilizarmos mais fontes renováveis vai além do fato de que as outras, um dia, vão se esgotar. Isso porque, de um modo geral, são essas as fontes que proporcionam processos de geração mais limpos – ou menos poluentes –, contribuindo para que consigamos atingir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, dentro do esforço global para deter as mudanças climáticas.
E se já está bem à frente da média global em relação às fontes renováveis em sua matriz energética, o Brasil se destaca ainda mais quando fechamos o foco, mais especificamente nas fontes da matriz elétrica. Aqui, 83% da eletricidade vem das renováveis, contra apenas 27% no âmbito mundial. Veja a comparação nas tabelas abaixo:

Matriz elétrica Mundial (em 2021): 73% não renováveis, 27% renováveis
Fontes (em ordem decrescente):
Carvão mineral – 36,8%
Gás natural – 23,5%
Hidráulica – 16,1%
Nuclear – 10,2%
Solar, eólica, geotérmica, marés e outros – 8,2%
Petróleo e derivados – 2,8%
Biomassa – 2,4%

Matriz elétrica Brasileira (2021): 83% renováveis, 17% não renováveis.
Fontes (em ordem decrescente):
Hidráulica – 62,9%
Eólica – 11,2%
Biomassa – 9,1%
Gás natural – 9,0%
Carvão e derivados – 3,1%
Solar – 2,2%
Derivados de petróleo – 2,4%
Nuclear – 1,1%

Como dá para perceber, em termos de fontes renováveis, o Brasil está em uma posição privilegiada, quando pensamos no quanto a maioria dos países terá de investir para modificar suas matrizes, especialmente a elétrica. Isso não significa que não precisemos fazer “mais nada”. Se você se lembrar de como a sua conta de luz tem crescido nos últimos anos, vai se deparar com um sintoma bem incômodo dos problemas que nosso país precisa enfrentar.
Como mostram os números aí em cima, quase 63% de nossa energia elétrica vem de usinas hidrelétricas, movidas pela água dos rios. E, nos últimos anos – também por causa das mudanças climáticas – atravessamos uma crise hídrica, ou seja, de escassez de água, ao ponto de que o volume dos lagos, rios e reservatórios ter diminuído de maneira drástica, tornando necessário o acionamento de usinas termelétricas, que usam gás natural e, também combustíveis derivados de petróleo para gerar eletricidade. Resumindo, em vez de diminuir as emissões causadas pela geração elétrica, recentemente, o Brasil as aumentou.
A boa notícia é que, por outro lado, há vento soprando a favor. A fonte eólica vem crescendo ano a ano e mais parques com aqueles imensos cataventos surgem em toda parte. Ela já é, hoje, nossa segunda maior fonte geradora. E, também, o uso de placas solares vai aos poucos se popularizando, com a queda dos preços de seus componentes. Tudo isso vai ajudar a tornar a nossa matriz elétrica mais renovável – e sustentável.

Fontes:
Matriz Energética e Elétrica
A Matriz Elétrica Brasileira
Brasil termina 2021 com maior acréscimo em potência instalada desde 2016
Qual a diferença entre matriz energética e matriz elétrica?
Crise de energia e transição justa

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